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Doshu
no Jutsu é a arte da liderança. Com o princípio da tradição militar e a
ascensão do Shogunato, imperou-se a necessidade de um sistema organizacional
que mantivesse em alta a classe aristocrática. Desta maneira, desde o comando
dos Ashikaga, o Japão vem se aprimorando na arte da liderança, que consiste na
manipulação dos meios tal como a administração do bem e da economia. Muitos
nomes foram atribuídos no passado a tal arte, que visava a estruturação de um
clã, desde o seu princípio até a sua consolidação. Em outras palavras,
podemos dizer quer o Doshu no Jutsu vai muito além do que simplesmente liderar
um exército ou uma empresa. Nos dias atuais, as grandes universidades têm, em
seu currículo, disciplinas voltadas à construção de líderes.
Tal
ensinamento não difere muito da Antigüidade, sendo relevante a colocação de
uma adaptação ao mundo dos negócios atuais. Tal fato é que os livros
"Go Rin no Sho", de Miyamoto Musashi, e a "Arte de Guerra"
de Sun Tzu, foram os mais lidos em Wallstreet, nos EUA. Por outro lado, a arte
da liderança impera na absorção e cultivo do pensamento voltado à evolução
e aprimoramento mental. "O Homem que se afasta do Eu e retorna
restaurado". Tal frase vem nos explicar que a arte da liderança, através
de seus ensinamentos, restaura a maneira habitual que qualquer ser humano
carrega desde o seu nascimento. Sendo matéria obrigatória nas escolas de
Bugei, a arte do Doshu no Jutsu é o alicerce depositado na continuação das
empresas do Keiretsu e manutenção da tradição militar.
Formas
recentes de organização flexível do trabalho enfatizam mais a ação de
equipes em detrimento do trabalho individual. Membros de equipes, em geral, são
profissionais com níveis de conhecimentos diferenciados, maior grau de
maturidade e envolvimento com os objetivos do negócio. Para coordenar estas
equipes, há necessidade de um novo padrão de chefias.
Nas
décadas anteriores prevalecia o perfil do líder dinâmico e audaz que
conseguia vencer sozinho; seu instrumento de ação era o poder hierárquico,
organização relativamente rígida do trabalho e o controle da equipe. Hoje, além
de dinâmico e audaz espera-se que o líder seja empreendedor e criativo, para
trabalhar como membro de equipes ao lado dos demais colaboradores: alguém que
saiba dividir as vitórias com a equipe.
A
época dos líderes dominadores, que mantinham os membros da equipe com área
restrita de liberdade para trabalhar está chegando ao fim. A relação do líder
com a equipe é a de facilitador com vistas à obtenção de resultados. Se
antes atuava como comandante, agora deve adotar o papel de educador, sempre
preocupado em aproveitar o potencial e talento de cada membro da equipe e
aproveitando ao máximo as competências individuais. Do papel voltado para a
produção, vem se tornando um verdadeiro administrador de recursos humanos. Sua
arma não é mais o poder da hierarquia, mas a motivação da equipe e o centro
da autoridade está passando da posição hierárquica para a situação onde o
trabalho se realiza, pois o poder sem exercício real da liderança leva a
resultados negativos.
Devemos
refletir sobre as competências básicas exigidas para o desempenho das chefias
e liderança; aquele conjunto de conhecimentos, habilidades e comportamentos que
permitem ao líder gerar um determinado resultado através da coordenação do
trabalho da equipe. As competências em habilidades e conhecimentos referem-se
aos aspectos técnicos do trabalho e variam muito conforme as características
de produtos e serviços de uma organização; as competências comportamentais,
contudo, são necessárias a todo líder de equipe.
Abaixo
relacionamos algumas competências básicas indispensáveis ao perfil do líder
nas organizações:
Autoconhecimento:
O líder deve ter boa percepção e sensibilidade dos seus impulsos e motivações,
bem como sobre o efeito destes comportamentos sobre as pessoas com quem convive.
Autoconfiança e autoavaliação realista são posturas indicadoras do
autoconhecimento e apresentam forte impacto na situação de trabalho em equipe.
Automotivação:
Capacidade de definir metas pessoais e persegui-las com energia, entusiasmo,
otimismo e comprometimento com os objetivos do trabalho. O líder motivado é
fonte constante de estímulo para o grupo. Grandes desafios nas equipes só
podem ser vencidos com líderes motivados.
Comunicação/empatia:
A moeda corrente no trabalho de equipe é a comunicação. Mesmo os grupos
pequenos estabelecem teias de comunicação e tornam-se palcos de fortes emoções,
alianças formam-se e objetivos divergentes estabelecem-se. Cabe ao líder
tentar compreender com empatia os pontos de vista de todas as pessoas em volta e
administrar as diferenças. A empatia manifesta-se na habilidade de reconhecer a
necessidade das pessoas de crescer, por isso investem no desenvolvimento dos
talentos como treinadores e mentores
Sociabilidade:
Competência para administrar relacionamentos, capacidade de criar campos em
comum. As pessoas parecem saber, intuitivamente, que os líderes têm que
administrar seus relacionamentos de forma eficaz. A tarefa do líder é fazer
com que o trabalho seja feito por outras pessoas e a sociabilidade torna isto
possível. A sociabilidade manifesta-se também na competência em administrar a
diversidade que se manifesta nos grupos de trabalho: a discussão, a competição
e o conflito.
Ousadia
e Flexibilidade:
Espera-se que o líder seja empreendedor e não somente um mantenedor. Mas,
antes de tudo, que tenha comportamento flexível pronto a adaptar-se a situações
novas e a quebrar paradigmas.
Em
resumo, empresas que atuam em mercados competitivos têm pouco espaço para as
chefias no sentido tradicional, mas estão profundamente carentes de líderes. E
profissionais em funções de liderança são mais valorizados pelas suas competências
comportamentais na direção de equipes do que pelo uso do poder hierárquico
conferido pelo cargo ocupado na organização. Embora as competências em
habilidades e conhecimentos sejam importantes para o líder são decisivos os
fatores de Inteligência Emocional.
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