sábado, 4 de fevereiro de 2012

 

Cha no Yu             


A cerimônia do chá - chamada em japonês de sadô, chadô ou chanoyu - é muito mais do que um ritual estilizado de servir chá verde em pó numa atmosfera serena. É uma filosofia de vida que há séculos vem influenciando muitos aspectos da vida dos japoneses.  

O chá verde em pó (macha) foi introduzido no Japão no final do século XII por monges zen-budistas que chegavam da China. A partir do século XIV, espalhou-se entre a classe alta o hábito de fazer reuniões sociais para tomar chá, notadamente para a apreciação de pinturas.

Sob a influência dos samurais, na época a classe dominante na sociedade japonesa, desenvolveram-se certas regras a serem seguidas pelos participantes das reuniões de chá. Foi essa a origem do chadô (literalmente, "Caminho do Chá").

No início, as reuniões de chá eram caracterizadas pela ostentação. Foi somente no final do século XV que o monge zen-budista Murata Juko (1422-1502) passou a incentivar a prática da cerimônia do chá em salas pequenas e com poucos utensílios.

Outro monge, Sen no Rikyu (1522-1591), deu a estrutura definitiva para a cerimônia do chá, no final do século XVI. Ligado à filosofia zen, Rikyu pregava o espírito wabi (desprendimento, simplicidade, eliminação do supérfluo) para a cerimônia do chá, o que também se tornaria a essência da arte japonesa.  

Sen no Rikyu

Rikyu, considerado o maior de todos os mestres de chá, identificou os quatro princípios que guiam as regras do Caminho do Chá: harmonia (wa), respeito (kei), pureza (sei) e tranqüilidade (jaku).

Uma frase sintetiza bem o significado do chadô: ichigo, ichie ("um momento, um encontro"). O chadô ensina que se deve viver todo momento intensamente, pois ele é único, não se repete.

Outro conceito importante da cerimônia do chá é "kokoro ire" (colocar a alma). O anfitrião procura pôr toda sua alma na reunião de chá e executa seu papel com o propósito de criar uma atmosfera na qual o convidado possa encontrar tranqüilidade.

Após a morte de Rikyu, seus ensinamentos foram passados de geração a geração, por seus descendentes e discípulos. Formaram-se diversas escolas, das quais a que tem maior número de seguidores é a Escola de Chá Urasenke, dirigida desde 1964 por Soshitsu Sen, 15ª geração de grão-mestre de Urasenke. 

 

 

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