sábado, 4 de fevereiro de 2012

 

Suiren             


Para um país como o Japão, que é um arquipélago, nadar é tão natural e necessário quanto respirar. Para o guerreiro, era uma arte que poderia e, de fato, era utilizada em combate. Os campos de batalha eram, não raro, entremeados por riachos, lagos e campos inundados de arroz. Muitas batalhas importantes ocorreram perto das longas extensões de água que separam uma ilha da outra. Portanto, desde os tempos antigos, o homem se rende às dificuldades que o confronto dentro da água lhe oferece.

Com a modernidade e a invenção dos equipamentos, o homem pôde se deslocar com facilidade embaixo da água e explorar mundos ainda não conhecidos. Porém, antes disso, nada se podia fazer.

Houve então a necessidade de um desenvolvimento que proporcionasse ao homem medieval a condição de combater mesmo dentro da água. 

Seu currículo incluía nadar, flutuar, submergir e outras técnicas que, em princípio, fizeram muita diferença. À medida que tais técnicas foram aperfeiçoadas, o homem desenvolveu formas específicas de movimentações dentro da água que lhe dariam a condição de vencer um inimigo neste ambiente, armado ou não. Certos exercícios, desenvolvidos pelo Mukai Ryu, consistiam em fazer o guerreiro atravessar um rio, segurando um leque de papel fora d'água, sem que esse se molhasse. Outras escolas, como o Kankai Ryu, desenvolveram técnicas de natação em mar aberto -  que incluía nadar em posição semi-ereta, através de um poderoso movimento de pernas (maki-ashi). 

Tal técnica fez com que, mais tarde, espiões e outras classes de mercenários obtivessem êxito em suas investidas diárias.

Nos dias atuais, pouco se conhece sobre tal arte, e tudo o que se encontra foram adaptações partidas de princípios históricos que contribuíram para o que chamamos hoje de Suiren.

Estudiosos acreditam que, nos dias atuais, o que se encontra é uma nova forma de Suiren, que tenta remontar os primórdios.

De qualquer forma, ainda se fala e se estuda manobras desta antiga arte que, com a modernidade das técnicas desenvolvidas pela natação, quase que se tornaram obsoletas, ficando o encargo único e específico da tradição.

Ogawa Sensei, precursor do Bugei no Brasil, ensinou apenas algumas manobras em forma de kata, pois acreditava que muitos se aproveitaram da não-constatação dos fatos e criaram seus próprios métodos. Ogawa Sensei ensina apenas o que aprendeu com Saburo, que incluem apenas quatro kata. 

 

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