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Durante
do período Jokoto (800 dC), as espadas usadas eram retas, com fio
simples ou duplo e pobremente temperadas. Não havia um desenho padrão,
e eram atadas à cintura por meio de cordas. Evidências históricas
sugerem que elas feitas por artesãos chineses e coreanos que
trabalhavam no Japão. As primeiras espadas que se tornaram a arma padrão
do samurai foram feitas pelo ferreiro Amakuni, em meados do século
VIII.
A
adoção do eficiente fio curvado foi um grande passo tecnológico para
a época, que coincidiu com as melhorias nas técnicas de temperamento.
A era de ouro da manufatura de espadas deu-se sete séculos mais tarde,
entre 1394 e 1427. De qualquer modo, quando se estabeleceu a infantaria
de massa em substituição à cavalaria das épocas anteriores, a pesada
espada do tipo “tachi”, que servia ao cavaleiro montado, foi
substituída pela leve kataná, mais curta. Antes, o cavaleiro portava a
espada com a lâmina para baixo e a desembainhava em um movimento para
cima, de modo que não ferisse o cavalo. Já a kataná passou a ser
portada com a lâmina voltada para cima.
Tal
mudança na forma de porte da espada significou o início de um método
de combate completamente novo, que teria um efeito dramático no modo
como o samurai encarava a guerra.
Com
a espada segura firmemente na cintura, o samurai a sacava e cortava
rapidamente num só movimento, defendendo-se sem precisar sacar primeiro
e só então adotar uma postura defensiva. Desde então, o Kenjutsu
(uso da espada já sacada) e o Battojutsu
(saque e corte imediato) tornaram-se disciplinas separadas, porém
paralelas. Várias escolas e sistemas se estabeleceram, então, para o
ensino de ambas.
Durante
o Sengoku Jidai, a falta de um governo central forte encorajou os daimyo
a lutar entre si para expandir territórios. Cresceu a demanda por
armas, e os ferreiros iniciaram uma produção em massa de espadas de
baixa qualidade. Antes, o aço era cuidadosamente elaborado, forjado e
temperado num processo artesanal. Depois, passou a ser importado de
forma já pronta, para facilitar a forja rápida. A espada resultante,
embora bela, era menos durável e imprecisa. A verdadeira beleza da
espada está em sua precisão, durabilidade e aparência. Só quando
esses três elementos estão combinados, a arma terá boa performance
nas mãos do espadachim.
Espadas
que avariam em contato com um objeto duro, ou que revelam uma parte
interna de baixa qualidade, não podem ser consideradas legítimas
“Nippon To” (espadas japonesas). Não merecem compartilhar da reputação
estabelecida pelas lâminas dos grandes mestres ferreiros, que produziam
com métodos tradicionais. Hoje, apenas as escolas de Toyama e Nakamura
fazem o teste de corte (tameshigiri). No
final da batalha de Sekigahara, em 1600, venceu o general Tokugawa
Ieyasu, e seguiram-se trezentos anos de paz.
Nesse
período, não havia outro modo de testar uma espada senão pelo corte
de corpos de criminosos mortos. Portar espada era proibido, segundo a
lei de 1876. Desde que surgiu um interesse no Ocidente pelas artes
marciais do Japão, estipulou-se que a verdadeira arte da espada morreu
com a restauração Meiji, ou logo após o uso de espadas pelos samurais
ter sido esquecido. Alguns historiadores afirmam que a arte da espada
começou a declinar após a batalha de Sekigahara, no período Tokugawa,
e nunca mais foi recuperada. A conclusão é que a arte da espada morreu
no final do século XIX.
Felizmente,
nada disso é verdade. Em 1875, no começo da era Meiji, o Japão
vislumbrava seu moderno futuro industrial e a Toyama Gakko, sob nova
direção, provou ser o veículo a carregar a tradição da espada rumo
ao século XX. Fundada para treinar guerreiros militares, além de
outras disciplinas, sua base era o “Gunto Soho”, ou “método da
espada militar”. Essa combinação de técnicas de antigas escolas
famosas, principalmente a Omori Ryu, e sua adoção pelo exército,
levou mais tarde à fundação da escola Toyama de espada, em 1925.
Outras escolas, entretanto, não obtiveram o mesmo sucesso. Escolas que
antes ensinavam os antigos métodos de samurai agora voltavam-se ao
mercado de massa. Em 1870, muitos dojos na área de Tóquio ensinavam técnicas
menos vigorosas. Quando o Kenjutsu dos samurais tornou-se o Kendo do
praticante comum, muito da tradição foi perdido.
Porém,
as artes tradicionais ainda sobreviviam em algumas escolas militares. Até
hoje, o Battojutsu permanece pouco conhecido fora dos círculos
militares. A beleza dessa arte consiste em sua simplicidade e eficiência
mortal, sem posturas artificiais ou teatrais. Ela é simplesmente uma
maneira eficiente, prática e rápida de cortar um oponente num decisivo
ato de auto-defesa. Seu poder destrutivo é devastador. O Battojutsu
pode apenas ser aprendido em uma escola tradicional onde os métodos
antigos, baseados numa experiência de combate real, ainda são
seguidos. Então, o método do corte pode ser compreendido em sua
plenitude.
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