sábado, 4 de fevereiro de 2012

 

A História da Naginata             

Entre as mais antigas armas contendo lâminas no arsenal militar do Bugei está a naginata, que é uma arma estilo alabarda. Ela tem sido descrita como uma arma que possui uma espada fincada na ponta de um bastão.

Existem três teorias que remontam as origens da naginata no Japão, mas nenhuma delas é confirmada.

A primeira alega que a naginata era um instrumento utilizado para cortar coisas em pedaços. No Período Yayoi (o início do terceiro século a.C.) fazendeiros haviam acoplado pedras na extremidade do bastão e, posteriormente, as pedras foram substituídas por lâminas. Dessa forma, segundo essa teoria, a naginata foi uma arma desenvolvida através do protótipo de um instrumento agrícola.

A segunda teoria alega que a naginata foi criada já com fins de combata, como uma arma que obteve o metal acoplado em sua extremidade desde o início, embora primeiramente fosse talvez utilizado o bronze, para somente depois se usar o ferro. Essa teoria fala que a criação dessa arma aconteceu bem posteriormente à introdução do metal pelo continente asiático (depois de 200 anos a.C.).

Por fim, a terceira teoria alega que a naginata chegou ao Japão através da imigração dos chineses em aproximadamente 200 anos (a.C.). A arma utilizada pelos chineses, a alabarda, principalmente da época Han e da época Wei, não diferem tanto da naginata japonesa. Além disso, o contínuo contato do Japão com as duas Coréia e com a China, durante o período T’ang, promoveu a oportunidade para a alabarda chinesa influenciar o design da naginata japonesa.

No período Nara (710-94), os forjadores japoneses haviam forjado lâminas para armas como a naginata. Isso fez com que a arma pudesse ser utilizada tanto para combate contra o inimigo em pé ou a cavalo. Nessa época a cavalaria havia se tornado mais importante do que o grupo de frente a pé, e guerreiros montados eram muito difíceis de serem derrotados pelo arco e flecha ou mesmo pela espada.

Na Guerra de Tenkei (939-41), em que exércitos compostos por homens montados se confrontaram, a naginata chegou a ser tão importante que, dispensando o arco e a flecha no combate de distâncias curtas promoveu o suporte à utilização da espada.

O décimo primeiro século de ascensão do bushi tornou a naginata uma arma popular de guerra, porém, devido ao tamanho e ao peso, ela certamente apresentava restrições em sua utilização. Para “abrir terreno” ela era perfeita, proporcionando um resultado favorável fácil e rápido, porém em florestas ou áreas confinadas, seu uso se tornava em desvantagem e de extrema restrição.

Em registros das guerras Hõgen e Heiji (1156-60) mostram com todos os detalhes do uso da naginata, e sugere que, nessa época, já havia se tornado uma arma bem estabelecida, e não meramente de combate.

A naginata antiga consiste simplesmente de um bastão com uma lâmina longa. Um protetor para a mão foi colocado mais tarde.

A naginata era normalmente empregada diretamente contra a anatomia do inimigo, e o princípio do movimento circular adquiriu a perfeição na naginata. De uma distância segura, a naginata poderia manter a espada do inimigo embainhada usando um gasto mínimo de energia.

Na Guerra Gempei (1180), quando os Taira confrontaram os Minamoto, a naginata subiu a uma posição de grande importância. Ela se tornou famosa por Benkei, o guarda-costa de Yoshitsune, um grande e forte homem, que não era incomodado por outros pela sua capacidade de luta e que era mestre na utilização da naginata, um terror para todos os homens que se opusesse a ele.

Na batalha final entre os guerreiros Taira e os Minamoto em Ichi-no-tani e Dan-no-Ura (1185), Yoshitsune, o grande capitão Minamoto, dirigiu o combate com uma naginata na mão.

No final do poder dos Minamoto e no início do poder da família Hõjõ, depois de 1199, a liderança foi contestada pelos Taira que, nessa única vez, foi liderado por uma mulher, talvez a mais corajosa de todo o Japão, chamada Itagaki. Ela era famosa por suas habilidades com a naginata e esteve no comando de 3.000 soldados na guerra do Castelo Torizakayama. Ela deixou muitos guerreiros governantes mortos antes do exército sucumbir.

A invasão mongol em 1274 e 1281 impulsionou mais ainda a utilização da naginata em batalhas.

Durante o período Muromachi (1392-1573) quarenta e cinco ryu de naginata se desenvolveram, atestando a popularidade dessa arma, porém, o status do naginata-jutsu foi bem menor que o do kenjutsu.

A Era Sengoku foi a próxima no que tange ao último combate com a naginata e para a batalha de Sekigahara (1600), o que tornou Ieyasu supremo e depois, no período Edo, submetido ao poder de Tokugawa. A naginata passou a ser então uma arma simbólica ao lado a yari.

Enquanto a naginata havia figurado o treinamento das mulheres dos bushi nos tempos Heian, estava agora restrita a elas inteiramente.

Para as mulheres, a naginata-jutsu agiu como um contra-balanceamento em suas vidas sedentárias e, no meio do período Edo, tornou-se fascinante para as mulheres engajar homens em combates regulares utilizando protetores com os utilizados no kendo.

O Jikishin Ryu, fundado por Yamada Heizaemon Mitsumori, é um excelente exemplo do uso da naginata modificada para mulheres.

Durante o Período Meiji e Taisho a naginata sofreu um grande declínio como uma arma de guerra e passou a ser apenas vital para esses ryu, que a tinham como "Do".

 
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