Entre
as mais antigas armas contendo lâminas no arsenal militar do Bugei está a
naginata, que é uma arma estilo alabarda. Ela tem sido descrita como uma arma
que possui uma espada fincada na ponta de um bastão.
Existem
três teorias que remontam as origens da naginata no Japão, mas nenhuma delas
é confirmada.
A
primeira alega que a naginata era um instrumento utilizado para cortar coisas em
pedaços. No Período Yayoi (o início do terceiro século a.C.) fazendeiros
haviam acoplado pedras na extremidade do bastão e, posteriormente, as pedras
foram substituídas por lâminas. Dessa forma, segundo essa teoria, a naginata
foi uma arma desenvolvida através do protótipo de um instrumento agrícola.
A
segunda teoria alega que a naginata foi criada já com fins de combata, como uma
arma que obteve o metal acoplado em sua extremidade desde o início, embora
primeiramente fosse talvez utilizado o bronze, para somente depois se usar o
ferro. Essa teoria fala que a criação dessa arma aconteceu bem posteriormente
à introdução do metal pelo continente asiático (depois de 200 anos a.C.).
Por
fim, a terceira teoria alega que a naginata chegou ao Japão através da
imigração dos chineses em aproximadamente 200 anos (a.C.). A arma utilizada
pelos chineses, a alabarda, principalmente da época Han e da época Wei, não
diferem tanto da naginata japonesa. Além disso, o contínuo contato do Japão
com as duas Coréia e com a China, durante o período T’ang, promoveu a
oportunidade para a alabarda chinesa influenciar o design da naginata japonesa.
No
período Nara (710-94), os forjadores japoneses haviam forjado lâminas para
armas como a naginata. Isso fez com que a arma pudesse ser utilizada tanto para
combate contra o inimigo em pé ou a cavalo. Nessa época a cavalaria havia se
tornado mais importante do que o grupo de frente a pé, e guerreiros montados
eram muito difíceis de serem derrotados pelo arco e flecha ou mesmo pela
espada.
Na
Guerra de Tenkei (939-41), em que exércitos compostos por homens montados se
confrontaram, a naginata chegou a ser tão importante que, dispensando o arco e
a flecha no combate de distâncias curtas promoveu o suporte à utilização da
espada.
O
décimo primeiro século de ascensão do bushi tornou a naginata uma arma
popular de guerra, porém, devido ao tamanho e ao peso, ela certamente
apresentava restrições em sua utilização. Para “abrir terreno” ela era
perfeita, proporcionando um resultado favorável fácil e rápido, porém em
florestas ou áreas confinadas, seu uso se tornava em desvantagem e de extrema
restrição.
Em
registros das guerras Hõgen e Heiji (1156-60) mostram com todos os detalhes do
uso da naginata, e sugere que, nessa época, já havia se tornado uma arma bem
estabelecida, e não meramente de combate.
A
naginata antiga consiste simplesmente de um bastão com uma lâmina longa. Um
protetor para a mão foi colocado mais tarde.
A
naginata era normalmente empregada diretamente contra a anatomia do inimigo, e o
princípio do movimento circular adquiriu a perfeição na naginata. De uma
distância segura, a naginata poderia manter a espada do inimigo embainhada
usando um gasto mínimo de energia.
Na
Guerra Gempei (1180), quando os Taira confrontaram os Minamoto, a naginata subiu
a uma posição de grande importância. Ela se tornou famosa por Benkei, o
guarda-costa de Yoshitsune, um grande e forte homem, que não era incomodado por
outros pela sua capacidade de luta e que era mestre na utilização da naginata,
um terror para todos os homens que se opusesse a ele.
Na
batalha final entre os guerreiros Taira e os Minamoto em Ichi-no-tani e
Dan-no-Ura (1185), Yoshitsune, o grande capitão Minamoto, dirigiu o combate com
uma naginata na mão.
No
final do poder dos Minamoto e no início do poder da família Hõjõ, depois de
1199, a liderança foi contestada pelos Taira que, nessa única vez, foi
liderado por uma mulher, talvez a mais corajosa de todo o Japão, chamada
Itagaki. Ela era famosa por suas habilidades com a naginata e esteve no comando
de 3.000 soldados na guerra do Castelo Torizakayama. Ela deixou muitos
guerreiros governantes mortos antes do exército sucumbir.
A
invasão mongol em 1274 e 1281 impulsionou mais ainda a utilização da naginata
em batalhas.
Durante
o período Muromachi (1392-1573) quarenta e cinco ryu de naginata se
desenvolveram, atestando a popularidade dessa arma, porém, o status do
naginata-jutsu foi bem menor que o do kenjutsu.
A
Era Sengoku foi a próxima no que tange ao último combate com a naginata e
para a batalha de Sekigahara (1600), o que tornou Ieyasu supremo e depois, no
período Edo, submetido ao poder de Tokugawa. A naginata passou a ser então uma
arma simbólica ao lado a yari.
Enquanto
a naginata havia figurado o treinamento das mulheres dos bushi nos tempos Heian,
estava agora restrita a elas inteiramente.
Para
as mulheres, a naginata-jutsu agiu como um contra-balanceamento em suas vidas
sedentárias e, no meio do período Edo, tornou-se fascinante para as mulheres
engajar homens em combates regulares utilizando protetores com os utilizados no
kendo.
O
Jikishin Ryu, fundado por Yamada Heizaemon Mitsumori, é um excelente exemplo do
uso da naginata modificada para mulheres.
Durante
o Período Meiji e Taisho a naginata sofreu um grande declínio como uma arma de
guerra e passou a ser apenas vital para esses ryu, que a tinham como "Do".