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O
Bajutsu é a arte da equitação de guerra. O antigo bushi das altas patentes
era, por definição, o “guerreiro montado”, que ia para as batalhas à
frente das tropas. Ele, portanto, dominava a arte da equitação na época
feudal, tal como indicam as peças de montaria de ferro e bronze encontradas nos
dolmens japoneses.

O
Bajutsu é considerado uma arte aristocrática tão antiga quanto o período
Heian. Entretanto, ela perdeu muito de sua originalidade quando a nobreza,
modificando as antigas práticas dos clãs de guerra para formas mais
“civilizadas” de métodos de violência, veio a considerar certas
habilidades em artes marciais tão vulgares que, em 1159, um capitão das
guardas do palácio externo nem mesmo montava um cavalo, limitando-se a
estimular os guardas provinciais a gritarem em caso de perigo.
Mesmo
nos períodos mais remotos, a casa do bushi (isto é, a residência central do
clã ao qual ele pertencia) incluía grandes estábulos e áreas externas onde
os cavalos eram mantidos e treinados, mas não há como apontar exatamente onde
e quando o cavalo foi introduzido no Japão.
Alguns
estudiosos afirmam que esse animal foi levado por conquistadores imigrantes a
Yamato. De qualquer forma, o cavalo usado no Japão pelo “guerreiro montado”
parece ser o típico pônei asiático, similar ao usado por chineses e coreanos,
assim como pelos cavaleiros mongóis, que realmente nasceram e conviveram com
cavalos. A espécie japonesa provavelmente é um cruzamento de várias linhagens
continentais, já que esses animais eram freqüentemente citados em listas de
presentes trocadas entre a corte chinesa e o imperador japonês.
Na
época, o cruzamento de espécies foi especialidade de certos clãs, cada qual
com seu método próprio. Os cavalos do clã Nambu, particularmente, ganharam
notável fama por todo o Japão.
Esses
animais eram aparentemente menores que as espécies européias ou árabes, mas
extremamente fortes, velozes e capazes de executar manobras altamente
sofisticadas. Eram tidos como “notoriamente de mau temperamento”; era
preciso ter uma mão experiente para domá-los, principalmente no tumulto de uma
batalha. O antigo bushi, tal como o guerreiro mongol, tinha muita habilidade em
domar esse animal. Ele vestia uma armadura especial (uma-yoroi) quando montado.
Era uma armadura mais leve e funcional que a desenvolvida no século XVII,
quando a armadura tornou-se predominantemente decorativa.
Era
basicamente a mesma armadura que ele usava quando a pé, com a adição de
certos itens, como o colete peculiar (horo), caneleiras (sune-ate), e protetores
de coxas (haidate), para compensar a desvantagem de estar em posição elevada
e, conseqüentemente, tornar-se alvo fácil para as espadas inimigas durante a
batalha.
Ao
contrário das montarias dos cavaleiros europeus da Idade Média, o cavalo do
bushi não era vestido com uma armadura pesada. Sua cabeça era protegida com
uma máscara de ferro, aço ou couro, moldada em seu formato ou representando
monstros míticos. A armadura do corpo do animal era composta por pequenas lâminas
de couro costuradas sobre um tecido. Acrescia-se a sela, estribos, rédeas e
freio, que ajudavam o cavaleiro a controlar sua montaria.
A
arte da equitação em terra é conhecida por jobajutsu ou simplesmente bajutsu,
enquanto a equitação em rios é chamada de suieijutsu ou suibajutsu.

Cada
uma dessas modalidades possui várias técnicas tradicionais, que se diferem das
européias. Por exemplo, o bushi geralmente montava pelo lado direito, lançando
seu peso sobre o calcanhar e não na ponta dos pés, como se faz na Europa. O
guerreiro segurava as rédeas com ambas as mãos até estar pronto para combater
o inimigo, quando então ele as atava a anéis e ganchos na própria armadura e
controlava o cavalo com os joelhos.
A
trajetória de movimentação do cavaleiro em linhas inimigas era irregular, de
modo que ele não fosse atingido pelos arqueiros. Perto da base inimiga, ele
fazia uso de suas espadas e lanças, se movendo entre grupos inimigos ou se
atracando com outro guerreiro montado. Nesse tipo de encontro, ambos utilizavam
suas montarias em total mobilidade e coordenação, como se estivessem sobre o
chão. Sob condições ótimas, o cavalo estaria tão sintonizado com a
personalidade de seu condutor que agiria instintivamente, avançando e recuando
nos momentos certos.
Mesmo
à noite, os cavalos eram usados para trotar silenciosamente, e também eram
treinados para cruzarem riachos, rios e lagos, para manobras em águas próximas
às casas dos clãs militares.
A
equitação militar teve grande efeito no Bugei, não apenas como uma
especialização militar mas porque envolvia todas as outras artes marciais como
apoio estratégico. A arquearia, as artes com armas em geral e técnicas de
combate sem armas eram diretamente afetadas, tanto pelo ponto de vista de dois
cavaleiros se enfrentando como pelo ponto de vista de um cavaleiro contra um
guerreiro no solo.
Os
cavaleiros empregavam todas as técnicas do Bujutsu para a situação montada. A
arquearia eqüestre, por exemplo, era uma sub-especialização do Kyujutsu
altamente desenvolvida. Foram desenvolvidas técnicas especiais de espada, lança
e até mesmo de combate desarmado contra um indivíduo montado. Até mesmo os
cavalos eram atacados sem misericórdia, para que o cavaleiro viesse ao chão.
O
uso do cavalo nas batalhas deixou de ser um fator determinante no Japão antes
mesmo que na Europa. Os altos custos de manutenção dos cavalos e o relevo
geográfico do arquipélago nipônico, repleto de montanhas, não favoreceram o
desenvolvimento de uma grande cavalaria de guerra, como era comum na Ásia
Central, Europa e Oriente Médio. Após a Era Moderna, o Bajutsu praticamente
desapareceu.
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