terça-feira, 29 de julho de 2014

 

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Paciência

Lealdade & Fidelidade

Por Marcos Amaral

 

Estes são dois conceitos que na verdade não consigo separar muito bem. Pra mim quem é fiel é leal, ou então é submisso. Logo fidelidade sincera depende de lealdade. E quem é leal é fiel, ou então é apenas um aproveitador. Logo, lealdade sincera depende de fidelidade.

Fidelidade tem por origem o vocábulo latino “fidelitate”. Que significa a qualidade daquele que é fiel; lealdade; exatidão; honestidade; semelhança.

Lealdade tem por origem o adje(c)tivo leal, que por sua vez provém do vocábulo latino “legale”. O adje(c)tivo leal significa: conforme com a lei; que não falta às suas promessas; sincero; franco; honesto; fiel; dedicado». Lealdade significa: qualidade de quem é leal; fidelidade; sinceridade; ação leal. Lealdade, que tem origem na palavra leal, tem vindo a alargar o seu âmbito e a convergir com o campo semântico de fidelidade.

Seja como for lealdade e fidelidade são muito mal interpretados desde longa data. Muitos confundem lealdade e fidelidade com ser “puxa-saco” ou com submissão. No ultimo dia 10 de Junho, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse: “Tenho uma lealdade canina ao presidente Lula e todo mundo sabe disso”. Seria ele realmente leal ou apenas fiel ao nosso presidente?

Bem, a Fidelidade pode ser analisada como uma ação em curto prazo, rápida, de momento, mas que acabará, “que seja eterno enquanto dure”, já dizia o cantor Daniel.

Agora a Lealdade, é uma ação em longo prazo, lenta e que requer tempo, mas que terá grandes chances de se tornar duradoura, pois as pessoas leais são aqueles que em meio a qualquer situação, estarão a seu lado. Lealdade não pode ser comprada 

Portanto, ao se deparar com uma situação entre a Fidelidade e a Lealdade, analise que ambas possuem particularidades especiais e que devem ser buscadas de forma contundente.

Dentro do Feudalismo, CARLOS MAGNO incentivou e alterou o vínculo da vassalagem, comum entre os francos desde a época merovíngia. A doação do “benefício” (terra) em troca do juramento de fidelidade e serviços prestados ao rei passou a ser acompanhada do poder de “ban”, isto é, do direito de comandar, punir, aplicar a justiça e cobrar impostos sobre a população local, de forma que o beneficiado passava a assumir funções do rei em suas terras. O juramento vassálico passou a ser feito mais no interesse em obter a terra (feudo), do que na lealdade ao soberano. A posse da terra tornou-se o verdadeiro fundamento da relação entre o rei e seus vassalos.  

A fusão da vassalagem com o benefício constituiu a base do sistema feudal e teve como conseqüência, o enfraquecimento do reino e do poder do rei. Os nobres mais importantes – duques, condes e marqueses – recebiam o feudo diretamente do rei, tornando-se seus vassalos diretos. Por sua vez, podiam repassar parte dele a outros nobres menores – viscondes, barões e cavaleiros – criando uma escala hierárquica de suserania e vassalagem que abrangia toda a aristocracia. Portanto ouso afirmar que esse era um tipo de lealdade falsa.

Dentro de uma analogia comercial, podemos distinguir com exatidão a diferença entre a lealdade e a fidelidade.

Sabemos que, Fidelidade é um dos aspectos mais discutidos e buscados atualmente, inúmeras empresas buscam que seu produto e/ou serviço consiga, junto aos consumidores, uma fidelidade em torno daquilo que comercializa. 

Assim sendo, vamos analisar alguns pontos ocorridos nos últimos anos diante dos hábitos de compra dos consumidores junto aos produtos e/ou serviços disponibilizados no mercado. Observe-se:  

Antigamente, com a escassez de produtos e de diversidade de marcas e modelos, criou-se junto ao mercado uma grande tendenciosidade diante daquilo que existia na época. Com certeza, em sua família existem aqueles pais, tios e avôs que não trocam a marca de seus automóveis de modo algum e ainda por cima os defendem com unhas e dentes, evidenciando as qualidades e rebaixando as concorrentes. 

Esta mentalidade formou-se nos momentos em que o mercado não apresentava uma situação com a que vemos hoje, em que os consumidores têm em suas mãos uma pluralidade de produtos e/ou serviços das mais diferentes marcas e modelos. Ao contrário da concepção antiga, estudos mostram que o número de consumidores radicais em torno de uma marca, produto e/ou serviço é de pouco mais de 30%. 

Um índice considerável ainda, porém a tendência de um futuro próximo será de que este índice sofra uma grande redução, chegando a patamares bem menores do que os atuais. Isso porque, além do aumento em torno de novas tendências e de um mercado extremamente disputado e competitivo, a todo o momento surgirão novas marcas e modelos, aumentando as opções disponíveis e fazendo com que o consumidor não se prenda a particularidades e sim por elementos como a qualidade e principalmente o preço, mesmo porque a tendência verificada em torno do mercado é que, os produtos serão cada vez melhores produzidos e mais baratos. 

Os motivos mais palpáveis verificados diante desta mudança de mercado, de hábitos de consumo, devem-se ao fato de que está ocorrendo um crescimento das classes sócio-econômicas mais baixas da sociedade, visto que os censos realizados nos últimos anos, apontam que a faixa de renda que está crescendo mais é a C, sendo este aspecto decorrente do fato de que o poder de compra das classes menos privilegiadas vêm aumentando, enquanto que nas classes altas há a queda de inúmeros consumidores que ostentavam uma falsa situação econômica, situando-se anteriormente na classe B. Este fato mostra claramente, uma realidade Econômica e Financeira Mundial. 

Diante desta cronologia apresentada, poderemos discutir melhor as questões inicialmente propostas. Como vimos, a Fidelidade é uma ferramenta de mercado utilizada há muitos anos. Porém esta prática se fortalece nos tempos atuais, diante de um cenário mercadológico extremamente disputado e competitivo, onde a concorrência é muito forte e incide diretamente na forma de pensar e agir das organizações. 

Com isso, as organizações buscam criar elos entre suas marcas, produtos e/ou serviços de forma a fidelizar seu cliente, para que o mesmo não venha migrar para o concorrente. Inúmeras são as estratégias e ações em torno desta situação, mas o que se verifica é que a questão da fidelidade está sendo deixada de lado pelos consumidores, uma vez que a infidelidade toma do grosso da população consumidora, que ante um mercado rico em diversidade de modelos e preços, acaba aderindo a marcas similares, que possuem produtos de igual, ou melhor, qualidade do que as marcas tradicionais – os chamados genéricos. 

Desta forma, a Fidelidade pode ser analisada como uma ação em curto prazo, rápida, de momento, mas que acabará. Já a Lealdade, é uma ação em longo prazo, lenta e que requer tempo, mas que terá grandes chances de se tornar duradoura, pois os clientes leais são aqueles que em meio a qualquer situação, estarão aderindo àquelas marcas, produtos e/ou serviços de sua escolha e gosto, como exemplificado pelos consumidores antigos, que mesmo com a evolução do mercado, são leais as marcas que adquiriram antigamente e dificilmente mudarão. 

Vale lembrar que só as organizações que se destacarem no mercado poderão gozar de uma vida empresarial mais longa e tranqüila.

Por fim, lealdade pode existir sem fidelidade. Fidelidade pode existir sem lealdade. Só fidelidade e lealdade juntas completam um quadro do raro amor. Mas embora complementares e indispensáveis à realização da estrutura monogâmica, fidelidade e lealdade raramente caminham juntos, daí tanto sofrimento.

A estrutura poligâmica era psicologicamente sábia quando exigia a lealdade como fator de união e consolidação da família de então. Liberta da obrigação da fidelidade, a lealdade podia se exercer plenamente. Obrigada, porém, à fidelidade, (como ocorre na sociedade que se diz monogâmica), a lealdade deixa de existir como necessária ou como o cimento principal da relação. Ela se transforma numa compulsória serva da fidelidade, porque estando imposta a fidelidade, mesmo que não haja sinceridade, a deslealdade jamais campeará, salvo no plano subjetivo. A fidelidade impõe a lealdade compulsória, que não é lealdade, é obrigação, dever etc.

Quando há fidelidade sem amizade, necessária à lealdade, esta, embora imposta aparentemente pela fidelidade, embora necessitando existir (porque todo ser humano necessita de lealdade), em vez de se direcionar para o ser amado, tem a sua energia dirigida para atividades derivativas ou de disfarce. Se a fidelidade é compulsória, a lealdade, que é um sentimento genuíno de amizade, fica reservada para outras escolhas da pessoa. Quem é fiel por obrigação em geral reserva a sua lealdade para outras atividades, pessoas ou instituições, raro para o ser amado.

Desobrigado da fidelidade, o ser humano poderia exercer uma lealdade muito profunda com o ser amado, ex-amado, ou apenas gostado, respeitado, deferido, reconhecido, gradações estas existentes tanto no amor como dentro da estrutura familiar. Sentimento sincero, a lealdade seria o grande cimento das relações de amor despido de paixão, ou o cimento daquela amizade superveniente depois do amor.

Fidelidade e lealdade ficariam apenas para os casos de amor permanecente, aquele que não acabou, que prossegue independente das obrigações da fidelidade ou do compromisso. Fora desses casos, em toda a variada gradação dos sentimentos e das relações intrafamiliares, lealdade e fidelidade só existiriam quando fossem sinceras.

Mas sendo a fidelidade à regra essencial da relação monogâmica, imposta, portanto, por graves sanções, punições, anátemas etc, resta, para a lealdade, ser um sentimento importante aonde à fidelidade não é mais possível (formas não exaltadas de amor), sentimentos estes talvez até mais próprios ou indicados para a relação familiar, que a paixão ou o amor exaltado.

 

Referencias:

www.cavalaria.espiritual.vilabol.uol.com.br

www.ciberduvidas.sapo.pt

www.hystoria.hpg.ig.com.br  

www.portaldomarketing.com.br

www.essenciadoolhar.blogger.com.br


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